“Django Unchained” de Quentin Tarantino

Na obra-prima que é Django Unchained, e que já foi tão discutida que pouco mais vale a pena discutir, há uma cena que para mim sobressai: a da discussão dos membros do KKK acerca dos capuzes. Porque nessa cena, o anonimato desumanizador, a normalização que potencia o grupo eliminando a individualidade (como o cabelo rapado e as fardas dos soldados) é derrotada pela mais básica humanidade, a incapacidade de ver e o aperto que o tecido provoca. A cena sobe a um paroxismo cómico com o marido da mulher que fez os capuzes a ir-se embora e a ordenar que não lhe peçam mais nada e um dos membros do Klan a ter a melhor frase do filme, ao tentar ser a voz da razão (!) e a dizer que sem apontar dedos, os capuzes podiam estar melhores. O que por sua vez, me dá uma ideia para um filme: um ditador a fazer a barba, a pagar os impostos, a arranjar o carro, a lavar a loiça, a passear o cão e a apreciar os méritos da Jennifer Lawrence. No fundo, a ser um gajo como os outros. Que não vê e se sente apertado pelo capuz. Porque os tipos mais assustadores são os mais normais e vice-versa.

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