Futebolês (1)

1 – Quando se comemoram dez anos desde que o Polvo foi desmascarado, surgem novas escutas que mostram quão às claras tudo é feito no futebol português. Cada vez acho mais que a culpa é nossa, que alimentamos um desporto corrupto e podre: basta ver o que este poder fez ao hóquei em patins (um desporto hoje inconsequente em termos de visibilidade precisamente depois de anos de domínio da Corrupção). Acho que um período de decadência (ainda maior do que aquele iniciado em 1982) podia ser bom para o futebol português, limitando a quantidade de dinheiro envolvida e mandando os corruptos para outro lado.

2 – Por falar em corruptos, o Boavista quer ser reintegrado na Primeira Liga. Por um lado é a descredibilização total, o mesmo que por o Bibi a ensinar numa creche; por outro, compreendo a frustração dos axadrezados, que viram ao lado fazerem bem pior e ficarem impávidos e serenos na Primeira Liga. O ideal era que tivessem de subir por eles próprios – ainda para mais quando não foram ilibados de nada, apenas se deixou o caso prescrever – mas só mesmo em Portugal é que a tentativa de coacção é mais punida que a coacção propriamente dita.

3- De um tipo que palita os dentes na televisão, não se pode esperar muito. Mas a birra de Dias Ferreira no Dia Seguinte, junto com a de Rui Moreira no Trio de Ataque mostra aquilo que era previsível: quando estes programas televisivos tivessem adeptos benfiquistas que defendessem o clube a sério, a coisa azedaria facilmente. Dai que Fernando Seara, submisso, calado e que vai almoçar com Relvas e papas tenha sido o paradigma durante tantos anos. A mim, não me adianta nem me atrasa: não só nunca tive outra ideia do irmão da Manuela como não perco um minuto do meu tempo a ver estes programas e a dar audiência a serrões (qual é mesmo a profissão deste tipo?), a guilhermes aguiares que nadam em águas profundas ou a doutores com maus figados. A minha solidariedade com Paulo Garcia, juntamente com Carlos Daniel o mais isento jornalista a falar de futebol em Portugal (e com quem o azulado Hugo Gilberto tinham muito a aprender).

4- O clube do regime era o Benfica, claro que sim.

   Da esquerda para a direita. Ângelo César (presidente do FC Porto entre 1938 e 1939), Oliveira Salazar (1889/1970), Óscar Carmona (1869/1951)  e Urgel Horta (presidente do FC Porto em 1928/29 e de 1951 a 1953)

Da esquerda para a direita. Ângelo César (presidente do FC Porto entre 1938 e 1939), Oliveira Salazar (1889/1970), Óscar Carmona (1869/1951) e Urgel Horta (presidente do FC Porto em 1928/29 e de 1951 a 1953)

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